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A morte do intelectual: seria a cultura um antídoto à barbárie?
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por Vinícius Romagnolli Rodrigues Gomes
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Recebi com surpresa a notícia da morte de George Steiner (1929-2020) no dia 3 de fevereiro, não tão inesperada pela sua avançada idade (90 anos), mas pela vitalidade e fôlego que seus textos demonstravam. Steiner era professor de Literatura comparada, crítico literário e filósofo, e abordava temas variados que tocam na dialética passado-presente-futuro e na importância da cultura. Recentemente li o seu ensaio “Aqueles que queimam livros” (Âyné, 2017), uma crítica contundente aos perigos do anti-intelectualismo que ronda o mundo há tempos, mas que encontra expressão destacada num cenário nebuloso em nosso país, no qual autores como Millôr Fernandes, Caio Fernando Abreu, Carlos Heitor Cony, Euclides da Cunha e Mário de Andrade foram retirados de circulação recentemente de bibliotecas de Rondônia.
Creio que a leitura de Steiner se torna urgente e alarmante. O autor amplamente influenciado pelas grandes obras de arte e pela literatura, considerava que estas têm o poder de nos arrebatar e ampliar nossa percepção com seu potencial transformador. Apesar disso, ele denunciava o paradoxo de uma civilização que pode atingir o sublime, mas também o genocídio; portadora da linguagem capaz de criar tantas coisas belas, mas também capaz do silêncio tirânico. Em sua concepção, a linguagem se configura como uma escolha moral na forma de compreender o mundo ou ainda uma opção pelo racional e pelo humano em detrimento da escuridão. Contudo, o acesso ou opção pela alta cultura não nos dá garantias de eliminar a barbárie. Em teoria, é claro que seria importante ler Shakespeare, Goethe, Dostoiévski (para citar os autores preferidos de Freud) ou qualquer gênio da literatura mundial, mas isso não impede que a escuridão exista.
A própria psicanálise de Freud, autor sobre o qual Steiner escreveu, pode ser compreendida a partir do ideal iluminista que visava com a racionalidade científica superar o obscurantismo da ignorância, as trevas da falta do conhecimento, porém, Freud se deparou em sua prática com os limites da racionalidade e a impossibilidade de representar tudo pela via da linguagem, além dos limites da sublimação. Steiner me parece também ter se deparado com esse “rochedo da castração”, pois, mesmo que o conhecimento seja uma virtude e o mal uma ignorância, não há garantias de contenção da desumanização, da agressividade e barbárie. Longe de ser um cético, no entanto, Steiner apostava suas fichas e energia nas virtudes da cultura elevada, mas admitia os limites e as (im)possibilidades desta.
Em coluna escrita para a Folha de São Paulo, o professor Eduardo Wolf descreveu sua sensação com a perda de Steiner, abro aspas a ele: “A morte de um intelectual, de um erudito, de um mestre propriamente dito, sempre deverá parecer àqueles que amam o saber e a cultura como o incêndio de uma biblioteca”. A metáfora da biblioteca em chamas me parece emblemática para o autor que critica a truculência daqueles que queimam livros e que odeiam os intelectuais acreditando que os livros são a chave para nos tornarmos melhor. É certo que não há garantias na vida, contudo, nem por isso deixamos de buscar algo que transcenda nossas vidas fugazes e banais. É nesse sentido, que aqueles que leem os livros e amam as artes têm maiores possibilidades de uma vida mais rica e interessante do ponto de vista imaginativo e da experiência estética.
Em meu trabalho como psicanalista, aposto todos os dias na linguagem e no recurso simbólico, mesmo sabendo da aridez do cenário contemporâneo que ganha fôlego com o anti-intelectualismo do presidente da república. Fica aqui o meu tributo ao gigante George Steiner e a todos aqueles que amam a cultura e a arte.
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Para saber mais:
STEINER, George. Aqueles que queimam os livros. Belo Horizonte: Âyné, 2017.
STEINER, George. Lições dos mestres. Rio de Janeiro: Record, 2018.
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George Steiner (1929 -2020) em sua biblioteca de 12 mil livros
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Vinícius Romagnolli é graduado em Psicologia (CRP 08/16521) e História, Mestre e Doutorando em Psicologia, atua como psicanalista e professor (PUC-PR); é membro fundador do Instituto Psicologia em Foco.