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Escrever
sobre a história das mulheres é encarar panoramas perturbadores: independente
do recorte que se faça, geográfico, de classe social, etnia, geracional, a
história das mulheres é comumente uma história de opressão, já que o gênero é a
primeira instância de poder. Nas sociedades ocidentais é de praxe encontrar as mulheres
ocupando patamares inferiores, não importa qual a instância de análise.
Obviamente houve mulheres extraordinárias, alçadas pelos estudos históricos
como excepcionais, o que foi muito importante para a valorização de suas ações
e o empoderamento feminino. Porém, algumas informações que marcaram a Era
Moderna são fundamentais para o propósito deste texto: por uma questão de
gênero, mulheres taxadas como bruxas foram condenadas pela Inquisição, seja por
expressarem sua sexualidade livremente ou por deterem conhecimentos de ervas e
alquimias de origem pagãs (portanto anticristãs), seja por estarem na posição
de amantes envolvidas com homens comprometidos maritalmente ou por engravidarem
e decidirem interromper a gestação. Enfim, a opressão às mulheres aumentou em
consonância com o desenvolvimento do capitalismo e com o fortalecimento do matrimônio
enquanto instituição reconhecida pelo Estado, o qual passou a se preocupar com
os índices de natalidade.
De
modo geral no processo de racionalização do mundo as mulheres sofreram as mais diversas
sanções, conforme aponta Silvia Federici (2017). Neste sentido, conhecer os
obstáculos historicamente determinantes, ou seja, perceber a historicidade na
determinação dos papéis de gênero é interpretar a condição das mulheres de
agora, herdeiras dessa historicidade; é assumir os conflitos advindos dessa mudança
de paradigma e expressos nos tempos atuais. Mulheres de outrora se
posicionaram, muitas vezes de forma radical, expressando seu descontentamento
em relação ao lugar social estabelecido ao gênero feminino. No final do século
XIX esse movimento social emancipatório recebeu o nome de feminismo e, como sua primeira instância de luta esteve ligada ao
direito de votar, as sufragistas foram alcunhadas pejorativamente como
sufragettes. Em sua vertente liberal o movimento foi liderado por mulheres das
classes médias urbanas e alfabetizadas; pode ser considerado um movimento
internacionalista e valeu-se da imprensa como veículo de divulgação de suas
ideias e reivindicações. Concomitantemente ao feminismo liberal houve outras
frentes, como os vinculados às ideias anarquistas e socialistas.
Em comum: a luta pelo reconhecimento de direitos e oportunidades iguais para mulheres e homens, enfim, pela igualdade entre os seres humanos. Alguns dados sinalizam os aspectos restritivos ao gênero feminino especificamente no Brasil: as mulheres só tiveram acesso ao ensino superior a partir de 1879 e conquistaram o direito de votar apenas em 1932. Tais informações mostram a emancipação social morosa do sexo feminino e, consequentemente, o acesso tardio à cidadania.
Da mesma forma, questões ligadas à moralidade e aos costumes patriarcais estipulavam condutas, comportamentos e até profissões consideradas adequadas às mulheres. As desajustadas eram taxadas com os nomes mais degradantes, ‘palavrões’ que comumente brotam também nas bocas de outras mulheres, incapazes de perceber que de uma forma ou de outra, isso as afeta também. Daí a importância da ideia de sororidade, conceito que pretende incentivar a necessária irmandade feminina, ou seja, a união das mulheres para defesa mútua.
A partir dos anos 1960 uma nova frente
de luta passou a problematizar as temáticas ligadas ao corpo. No contexto dos
movimentos da contracultura, as feministas questionaram a reprodução – quase
compulsória – a sexualidade e a heteronormatividade. Com o advento da pílula
anticoncepcional uma verdadeira revolução subterrânea teve início com a ideia de
que o pessoal é político: a emancipação se deu também por meio do direito de
escolha. O reflexo disso nos países centrais foi o debate sobre o aborto: na
Alemanha, por exemplo, o direito à interrupção da gravidez é garantido desde os
anos 1970. É possível afirmar que o mote central das diversas vertentes dos feminismos
atuais é: “Meu corpo, minhas regras!”
Fica evidente que muitas sementes plantadas pelas defensoras dos direitos das mulheres de outrora, foram colhidas, mas o status de degradação e a ideia de submissão permanecem; por isso o ‘denuncismo’ deve ser a palavra de ordem das que se posicionam em defesa das mulheres. Não é raro no senso comum ouvir que a culpa pelas diversas violências sofridas é das mulheres estupradas, das violentadas pelo companheiro, das abusadas no espaço doméstico. A culpabilidade da mulher é regra em sociedades falocêntricas, como é o caso da nossa.
A postura submissa aprendida desde a infância pelas meninas funciona como um dispositivo para sua inferiorização, conforme sugere Pierre Bourdieu em A dominação masculina (2014): sentar de pernas fechadas, sorrir com condescendência, baixar os olhos, aceitar as interrupções etc. Essa lista é imensa, mas o que importa é questionar tais assimilações que, apesar de parecerem ingênuas, refletem a inferioridade que se espera das mulheres.
A história mostra que o caminho foi longo, árduo e que não foram poucas as conquistas. No entanto, as estatísticas apontam que temo muitas veredas ainda para percorrer: é altíssimo o índice de mulheres mortas vítimas de violência (a lei do feminicídio de 2015 foi uma conquista); mulheres são as mais vulneráveis no tráfico de pessoas; ainda há discrepância salarial entre homens e mulheres na mesma atividade laboral; meninas são mais expostas à violência doméstica e não é menos violenta a criminalização do aborto, que torna a gestação obrigatória. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 16 milhões de mulheres acima de 16 anos sofreram algum tipo de violência no decorrer de 2018 (agressões virtuais incluídas). Conhecer as lutas das feministas do passado funciona como farol: esclarece e auxilia os caminhos a percorrer.
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Isabela Candeloro Campoi é Doutora em História e atua como professorada Licenciatura em História na Universidade Estadual do Paraná – UNESPAR, campus de Paranavaí. Faz parte do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Paranavaí e é membro da Marcha Mundial das Mulheres.